Imagine entrar no Pátio Batel para resolver alguma coisa do dia a dia e, no caminho, encontrar uma roupa feita de papel de bala, uma instalação que parece ter saído de um sonho ou uma obra que faz você parar alguns minutos só para tentar entender todos os detalhes.
É exatamente esse tipo de encontro que a segunda edição de Vestir o Olhar propõe. De 16 de setembro a 18 de outubro, o átrio do shopping será ocupado por uma exposição que aproxima dois universos que sempre conversaram entre si: arte e moda.
Com curadoria de Ana Carolina Ralston e produção da Ayo Cultural, a mostra reúne nove artistas que trabalham nessa fronteira entre o que vestimos, o que mostramos ao mundo e a forma como enxergamos aquilo que está ao nosso redor.
O tema da edição resume bem a proposta: “a arte compõe e a moda expõe”.
Uma galeria no meio do caminho
A primeira surpresa da exposição está justamente no lugar onde ela acontece. Em vez de uma sala tradicional de museu, a arte ocupa o coração do Pátio Batel. O átrio do shopping ganha uma nova configuração, com um portal de entrada e diferentes espaços dedicados a cada artista.
A ideia é transformar a passagem pelo local em uma experiência de descoberta, daquelas em que você está andando normalmente e, de repente, encontra algo que muda o ritmo do passeio. A proposta faz parte da identidade do próprio Pátio Batel, que há anos aposta em aproximar o público da arte por meio de exposições, instalações e projetos culturais.
Efigênia Rolim, a artista que transformou papel de bala em poesia colorida

Um dos momentos mais especiais desta edição é a homenagem à artista Efigênia Rolim, conhecida como a “Rainha do Papel de Bala”. E o apelido já entrega um pouco da genialidade dela. Com materiais que muitas pessoas jogariam fora, Efigênia criou vestidos, esculturas e objetos cheios de cor e personalidade.
Seu trabalho trouxe uma nova forma de olhar para o descarte, transformando embalagens, papéis e pequenos resíduos em peças carregadas de memória e imaginação. A artista, que se tornou um dos nomes mais importantes da produção popular do Paraná, também teve uma forte atuação como educadora, aproximando arte e comunidade.
Na mostra, o público poderá conhecer uma obra de Efigênia pertencente ao acervo do Museu Oscar Niemeyer (MON), que participa da exposição por meio de uma parceria especial.
Nove artistas, nove maneiras de olhar para o vestir
Vestir o Olhar reúne nomes com trajetórias muito diferentes, mas que têm algo em comum, todos enxergam o corpo, a roupa e os objetos como formas de expressão. Entre eles está Ronaldo Fraga, um dos grandes nomes da moda brasileira, conhecido por transformar coleções em verdadeiras narrativas sobre cultura, história e identidade.
Também participa Jum Nakao, famoso pelo desfile “A Costura do Invisível”, em que apresentou roupas feitas de papel e criou um dos momentos mais marcantes da moda brasileira ao questionar consumo, criação e efemeridade.

A mostra ainda reúne:
Guita Soifer, referência das artes visuais paranaenses, com uma produção que passa por gravura, pintura, fotografia e instalação;
Janet Vollebregt, artista que mistura arte, design e arquitetura em trabalhos ligados ao corpo e ao espaço;
Labô Young, que conecta identidade, cultura urbana e referências amazônicas;
Nathalie Edenburg, que transita entre pintura e joalheria;
Nazareth Pacheco, conhecida por obras que exploram corpo, beleza e desconforto usando materiais como vidro e metal;
Nino Cais, que transforma objetos cotidianos, roupas e fotografias em trabalhos poéticos.
Cada artista cria uma conversa diferente sobre aquilo que usamos, guardamos e mostramos.
Não é só para olhar: dá para colocar a mão na massa
A exposição também convida o público a participar. Durante o período da mostra, haverá uma programação gratuita com visitas guiadas, oficinas e talks.
Nas oficinas, a ideia é experimentar processos criativos presentes na exposição: Customização de roupas, Caderno de artista, Mosaico, Colagem, cor e camadas.
Para as crianças haverá atividades conduzidas por arte-educadores, aproximando os pequenos do universo artístico de uma forma mais divertida.
Conversas sobre moda, criação e arte

A programação ainda reúne encontros com nomes importantes da cultura e da moda brasileira. Entre os participantes estão Ronaldo Fraga, Luiza Brasil, André Carvalhal, Thai de Melo, Tete Conde, Chaouiche, Carollina Lauriano, Priscila Monteiro e Mariah Salomão Viana.
Os encontros vão discutir temas como direção criativa, desfiles, a relação entre moda e arte e como a criatividade influencia marcas e comportamentos.
Uma parada obrigatória para quem quer ver Curitiba em outro ritmo
Vestir o Olhar faz parte da programação da 16ª Bienal Internacional de Curitiba, que reúne centenas de artistas e ações culturais pela cidade. É uma oportunidade de colocar a arte no caminho do cotidiano, sem precisar esperar uma visita planejada ao museu.
Às vezes, basta uma volta pelo shopping para descobrir uma nova forma de olhar para uma roupa, um objeto ou uma história.
SERVIÇO — Vestir o Olhar 2ª edição
📅 16 de setembro a 18 de outubro de 2026
📍 Pátio Batel — Átrio do Piso L1
📌 Avenida do Batel, 1868 — Curitiba
🎟️ Entrada gratuita
✨ Visitas guiadas, talks e oficinas pelo app do Pátio Batel.











