Curitiba tem uma característica curiosa, basta virar uma esquina para encontrar uma história de mais de 100 anos. Uma antiga residência de uma família importante da erva-mate pode virar espaço cultural. Uma estação de trem pode continuar recebendo visitantes mesmo depois que os trilhos mudaram de lugar. Um palácio que já abrigou o governo pode hoje guardar memórias da fotografia, do cinema e da música.
A melhor parte? Dá para fazer tudo isso em um roteiro cheio de descobertas. Então separa um tênis confortável e vem caminhar por uma Curitiba diferente.
Primeira parada: Palacete Leão Júnior — uma viagem para a Curitiba da erva-mate
📍 Alameda Doutor Muricy, 9 — Alto da Glória
🕒 Terça a sexta-feira, das 13h às 18h
🎟️ Entrada gratuita
A primeira parada começa em um daqueles lugares que fazem a gente diminuir o passo para reparar nos detalhes. Construído em 1902, o Palacete Leão Júnior nasceu durante uma das fases mais importantes da economia de Curitiba: o ciclo da erva-mate. O imóvel foi construído pelo engenheiro Cândido de Abreu para ser residência de Agostinho Ermelino de Leão Júnior e Maria Clara Abreu de Leão, fundadores da Matte Leão. E o endereço já foi palco de grandes encontros da cidade. Em 1906, durante uma visita ao Paraná, o presidente Afonso Pena ficou hospedado no palacete.
O prédio é um daqueles lugares em que a arquitetura rouba a cena: fachada cheia de detalhes, elementos neoclássicos, influências barrocas, escadarias e ornamentações que lembram uma casa de época. E tem uma curiosidade deliciosa: os leões espalhados pela decoração ajudaram a criar uma conexão com a identidade da própria Matte Leão.
Depois dessa viagem pelo começo do século XX, é hora de seguir para o coração histórico da cidade.
Segunda parada: Museu de Arte Sacra — uma joia escondida no Largo da Ordem

📍 Rua Claudino dos Santos, s/nº — Largo da Ordem
🕒 Terça a sexta: 9h às 12h e 13h às 18h
🕒 Sábados e domingos: 9h às 14h
🎟️ Entrada gratuita
Saindo do Alto da Glória, o roteiro segue até uma das regiões mais famosas de Curitiba: o Largo da Ordem. É ali que fica o Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba (MASAC), instalado junto à Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas, considerada a mais antiga edificação da cidade.
O acervo guarda mais de 800 peças, entre imagens religiosas, pinturas, objetos litúrgicos, mobiliário e documentos históricos. O destaque fica para a imagem do Bom Jesus dos Pinhais, uma peça em terracota do final do século XVII. É uma parada para quem gosta daqueles lugares em que poucos minutos de visita já fazem você perceber quantas histórias cabem dentro de um prédio.
Agora o roteiro muda de assunto: saímos da fé e entramos nos trilhos.
Terceira parada: Museu Ferroviário — onde Curitiba ainda guarda a memória dos trens

📍 Shopping Estação — Avenida Sete de Setembro, 2775 — Rebouças
🕒 Segunda a quinta: 10h às 22h
🕒 Sexta e sábado: 10h às 23h
🕒 Domingos e feriados: 11h às 22h
🎟️ Entrada gratuita
O lugar onde hoje muita gente vai para fazer compras e passear já teve outra função: era a antiga Estação Ferroviária de Curitiba. Entre 1885 e 1972, a estação foi uma das principais portas de entrada da cidade. O Museu Ferroviário mantém viva essa memória, recriando ambientes e reunindo objetos usados na rotina dos trilhos.
Por lá estão itens como relógios, telefones, telégrafos, chapéus, sinos e outros objetos ligados à ferrovia. É uma parada que costuma surpreender porque mistura passado e presente no mesmo endereço.
Da antiga estação, o caminho segue para outro período da história: a Segunda Guerra Mundial.
Quarta parada: Museu do Expedicionário — histórias de coragem e memória

📍 Rua Comendador Macedo, 655 — Alto da XV
🕒 Terça a domingo: 9h às 12h e 13h30 às 17h
🎟️ Entrada gratuita
O Museu do Expedicionário guarda uma parte da história brasileira que muita gente ainda conhece pouco: a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. O acervo reúne uniformes, documentos, fotografias, mapas, equipamentos e objetos utilizados pela Força Expedicionária Brasileira (FEB), além de materiais da Força Aérea Brasileira e da Marinha.
Na praça em frente ao museu, dois elementos chamam atenção imediatamente: um tanque de guerra e o avião de caça P-47 Thunderbolt, que deram ao local o apelido popular de “Praça do Avião”.
Uma parada diferente, cheia de histórias que normalmente não aparecem nos roteiros tradicionais.
Quinta parada: Museu Paranaense — uma viagem por mais de 150 anos de histórias do Paraná

📍 Rua Kellers, 289 — Alto São Francisco
🕒 Terça a domingo: das 10h às 17h30
🎟️ Entrada gratuita
Para entender Curitiba, também é preciso olhar para tudo aquilo que veio antes dela. O Museu Paranaense é uma das paradas mais importantes desse roteiro justamente por reunir diferentes capítulos da história do estado em um único espaço. Fundado em 1876, ele é considerado o terceiro museu mais antigo do Brasil.
Ao longo de sua trajetória, o museu passou por diferentes fases e mudanças de sede, acompanhando também a própria transformação do Paraná. Hoje o espaço trabalha com novas formas de contar essa história, misturando pesquisa, memória, arte e diferentes perspectivas sobre a identidade paranaense.
O acervo e as exposições passam por temas como arqueologia, antropologia e história, criando conexões entre objetos antigos, manifestações culturais e debates contemporâneos.
É aquela visita que muda a forma como a gente olha para a cidade. Depois de conhecer tantos lugares históricos pelo caminho, fica mais fácil entender como Curitiba e o Paraná foram construídos ao longo dos anos.
Sexta parada: Museu da Imagem e do Som — Curitiba em fotos, filmes e sons

📍 Rua Barão do Rio Branco, 395 — Palácio da Liberdade
🕒 Terça a sexta: 10h às 19h
🕒 Sábados, domingos e feriados: 10h às 18h
🎟️ Entrada gratuita
Para fechar o roteiro, a última parada é uma viagem pelas memórias audiovisuais do Paraná. Criado em 1969, o Museu da Imagem e do Som do Paraná (MIS-PR) é o segundo museu do gênero mais antigo do Brasil.
O acervo impressiona: são mais de três milhões de itens, entre fotografias, discos, filmes, documentos, equipamentos antigos e registros que ajudam a contar histórias da cultura paranaense.
O endereço também merece atenção. O museu funciona no Palácio da Liberdade, um prédio histórico construído entre as décadas de 1870 e 1880, que já foi sede do Governo do Paraná.
Um encerramento perfeito para o roteiro, reunindo imagens, sons e memórias que ajudam a enxergar Curitiba e o Paraná por uma nova perspectiva.
Curitiba fica ainda mais interessante quando a gente conhece as histórias por trás dos lugares
Do palacete dos tempos da erva-mate ao museu que guarda memórias do Paraná, esse roteiro passa por diferentes épocas sem precisar sair da cidade.
São prédios, objetos e histórias que mostram que Curitiba não é feita apenas de cartões-postais: ela também está nos detalhes, nos corredores dos museus e nos lugares que continuam contando histórias todos os dias.
Agora é escolher a ordem, separar um dia para o passeio e conhecer uma Curitiba que talvez estivesse ali o tempo todo, só esperando um olhar mais atento.











